segunda-feira, 30 de junho de 2008

cores


sexta-feira, 27 de junho de 2008

alguém aí não é complexo?

eu não entendo o porquê da expressão "pessoa simples", para se referir a "gente pobre" (meu ex-professor de psicologia social defendia a idéia de que deveríamos falar "empobrecidos", uma vez que ninguém nasce pobre ou é pobre intrinsicamente... concordo!); mas minha bronca é que usar o termo "simples", que por sinal significa o contrário de "complexo" ou de "sofisticado", para caracterizar certas pessoas não me parece algo muito sensato... em geral, quem usa a expressão está tentando um eufemismo para outras expressões, que poderiam ser ofensivas ou desrespeitosas; tem quem fale "pessoa humilde", buscando enfatizar que se trata de um jeito de ser nada prepotente (normalmente "humildes" não humilham os outros, mas também podem estar sendo humilhadas...); ainda que o que esteja por trás sejam aspectos relacionados a comportamentos - por exemplo, pessoas que não ostentam sua riqueza material ou status social, que conversam com todo mundo, são simpáticas e falam sobre coisas do dia-a-dia - me parece que o termo "simples" atropela a noção de que algum ser humano pode não ser complexo; dito de outra forma, como se alguma pessoa pudesse ter uma vida tão tacanha, sem riqueza ou sem as tramas peculiares da existência, que engloba inúmeros processos psicológicos como memória, emoções, pensamentos, desejos e tantos outros eventos públicos ou privados; o famoso psicólogo behaviorista b. f. skinner falava sobre o mundo sob a pele, mas talvez, parodiando stephen hawking, mais justo seria dizer o universo numa casca de pele...

p. s.: bom, vocês já devem estar percebendo que não consigo deixar de lado a psicologia - ou vice-versa...

fotos


segunda-feira, 23 de junho de 2008

sobre aimee e magnolia

dia 20 de maio eu postei - quase que inaugurando este blog (foi a quarta postagem, para ilustrar a terceira, sobre um sonho que tive...) - um clipe de uma música da aimee mann chamada pavlov's bell... na época, eu juro, quase não postei o referido clipe... estava determinado a não fazer nehuma referência à psicologia neste blog, mesmo sabendo que isso nunca será possível... mas, diabos, eu estava já começando o blog com uma música que tem no título o símbolo máximo do condicionamento respondente, princípio de aprendizagem fundamental para a antiga e fracassada proposta de psicologia behaviorista de john b. watson, proposta esta que b. f. skinner logo abandonou para desenvolver seu bem sucedido behaviorismo radical, totalmente apoiado em outra forma de aprendizagem... ops... olha eu aí de novo me empolgando com o assunto!!

enfim, não sei quantos de vocês, ilustres visitantes, conhecem, ouviram falar de ou já escutaram músicas de aimee; trata-se de uma cantora/compositora estadunidense, ex-integrante de uma banda de música pop dos anos 80 chamada
'til tuesday (assim mesmo, com esse apóstrofe no começo) que, felizmente, não fez muito sucesso pelo mundo afora... após sair daquela banda medonha, aimee retornou mais ou menos no miolo dos anos noventa para a tal da carreira solo, completamente diferente (será que ela foi abduzida por e. t.s de algum planeta de bom gosto?) em termos visuais e musicais, bem mais próxima de um estilo country-rock...

o que acho interessante contar aqui, além, é claro, sobre o meu fascínio pela musicalidade e lirismo dessa artista, é o curioso fato do diretor de cinema paul thomas anderson (
there will be blood; boogie nights; cigarettes & coffee além de alguns clipes da cantora fiona apple, sobre quem falarei em outra oportunidade) ter afirmado que escreveu o roteiro do hollywoodiano filme magnolia (aquele um que concorreu ao oscar anos atrás e em qual o sr. tom cruise interpreta um guru sexual) inspirado no disco bachelor n. 2 de aimee; verdade ou não - e mesmo que isso não seja equivalente a dizer que o filme foi feito para a trilha sonora e não o contrário - o fato é que nove das treze faixas musicais da trilha do filme são de aimee!! há, inclusive, uma cena na qual os personagens cantam, em playback, a música save me de aimee... exótico... bem, eu também considero músicas de outros trabalhos dela verdadeiras obras-prima!! vejam as três aí de baixo, por exemplo (a primeira e a terceira são do referido filme)...

quanto ao filme
magnolia, só posso dizer que, além dele conter muita coisa interessante no roteiro, na direção e na interpretação (nem vou falar mais da trilha, né?), é o filme com final mais perturbador que eu já assisti... melhor nem falar sobre... que fiquem curiosos vocês...


aimee mann - save me
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aimee mann - the moth
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aimee mann - wise up
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uma trilha áudio-visual

tori amos - taxi ride
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sábado, 21 de junho de 2008

visões


imagens


quinta-feira, 19 de junho de 2008

um mês de "o mundo em minhas teclas"

pois é... para comemorar vai uma postagem de reflexões políticas e outras coisinhas...

nunca escondi de ninguém que sempre votei em candidatos do pt... desde os tempos de curitiba, época e local bem avessos a políticos de, então, esquerda... e para quem não sabe, por muito tempo meu sonho foi um dia ver lula presidente; verdade que meu engajamento sempre foi tímido, mas compartilho ainda de posições que considero um pouco mais críticas e menos ingênuas no terreno das escolhas eleitorais - ainda que política não seja só isso... frustrações, "escândalos" e incompetências à parte, estou longe de estar satisfeito com os rumos governamentais do brasil; embora os programas de governo de meus candidatos me agradassem, sobretudo pelos aspectos das prioridades quanto às necessidades sociais, ainda me incomoda o caráter "imexível" das telecomunicações no brasil; pelo amor dos deuses, o que é a tv brasileira??? (e o rádio também...); um país com tamanha desigualdade social e um índice vergonhoso de analfabetismo tinha por obrigação fazer uso educativo das telecomunicações; não sou a favor de proibições e coisas obrigatórias (sempre questionarei o serviço militar obrigatório!!), mas sinto falta de leis que regulamentem, por exemplo, a programação televisiva; meu raciocínio é no sentido de que a tv aberta deva oferecer opções culturais em maior escala, e não as toneladas de lixo que somos obrigados a engolir, ou no máximo, desprezar... o exemplo óbvio, mas mais ilustrativo, é a porcaria do internacional
big brother, reeditado ad nauseam, infelizmente não só aqui nas nossas terras; lembro quando li o fabuloso 1984, de george orwell e fiquei perplexo com tamanha imaginação do autor em delinear um futuro tão pessimista em relação ao controle das relações sociais e à manipulação de informações; confesso que me arrepiei quando soube da existência, no início do século, desse programa com o título inspirado no que de mais horrível a história de orwell continha: a figura do grande irmão que tudo via, que tudo sabia, que tudo vigiava... seria esse um mero programa de entretenimento lucrativo para a globo e demais redes televisivas em questão? (*ver abaixo texto que encontrei na wikipédia) tudo bem, vivemos mesmo numa civilização ocidental pseudo-liberal e capitalista, mas daí nos acostumarmos (ou pior, nos acomodarmos) com tamanha agressão é minimamente uma alienação; conheço muita gente que odeia esse programa por diversas outras razões, mas nem sempre o x da questão é tocado: quem manda neste país? nós, cidadãos, ou os donos da tv brasileira? (e levemos as mesmas considerações para as rádios, hoje nas mãos de grandes grupos econômicos e religiosos - o que me parece uma redundância...); será que é pedir muito que se revise as regras das concessões no campo das telecomunicações?

o sistema educacional brasileiro é lamentável... como professor universitário que sou, falo isso de boca cheia, mesmo que tal segurança possa soar como, nas palavras de marilena chauí, um
discurso competente... não quero aqui propor a imbecilidade de tapar o sol com a peneira, mas não desconsidero o quão útil seria a tv auxiliar na "árdua tarefa" de educar (no sentido mais amplo que esse termo possa ter) nosso maravilhoso povo... que triste, hoje meu sonho é ver uma nova tv brasileira, digital ou não...

* "Big Brother é um popular reality show onde, durante cerca de três meses, um grupo de pessoas (geralmente menos de 15) que tentar se manter em uma casa fechada, onde as expulsões são decididas pela audiência, e assim conseguir o prêmio por se manter a mais tempo na casa. Em 1999, John de Mol, um executivo da TV holandesa, sócio da empresa Endemol, teve a idéia de criar um Reality Show onde pessoas comuns seriam selecionadas para conviverem juntas dentro de uma mesma casa, vigiadas por câmeras, 24 horas por dia. O nome do programa foi inspirado no livro de Orwell: Big Brother (em alguns países o nome do programa é traduzido, o que não foi o caso de alguns, como o Brasil ou em Portugal). O termo em inglês Big Brother surgiu devido à novela escrita por George Orwell, intitulada 1984. Big Brother (ou Grande Irmão como foi traduzido nas versões lusófonas do livro) é o líder que tudo vê da antiutópica Oceania, governante do mundo ocidental em um futuro fictício. Representado pela figura de um homem que provavelmente na trama não exista, vigia toda a população através das chamadas teletelas, governando de forma despótica e manipulando a forma de pensar dos habitantes. O conceito originado transposto para a sociedade moderna, é o domínio das massas por mídias, se não totalitárias, mas na condição de quase monopólio de audiência. Elas podem ditar regras nos costumes, fazer e/ou desfazer idolatrias e fazerem-se de vias para a condução de uma cultura." (Wikipédia, em 21/6/2008; texto sob a GNU Free Documentation License).

terça-feira, 17 de junho de 2008

sábado, 14 de junho de 2008

london and paris




as fotos acima e abaixo, de dezembro de 2005, são de uma viagem feita a paris e a londres (pouca gente sabe disso...); elas estavam "engavetadas" aqui no meu pc, mas resolvi publicá-las, mesmo depois de tanto tempo; tentei fugir do clichê da fotografia turística, mas receio que algumas ainda trazem marcas disso; posteriormente postarei outras mais, digamos assim, informativas, com algumas curiosidades, mesmo que com qualidade suspeita... um comentário merece ser feito: ambas cidades são verdadeiros planetas, embora habitadas por homo sapiens como nós, brazucas; espero um dia voltar e quem sabe desfrutar por lá algumas mudanças de estações...


boêmicas

quarta-feira, 11 de junho de 2008

seu jorge - américa do norte

caraca!! eu até achei que era playback...
lamentável é eu ter que retirar isso de um programinha da globo... rsrsrs...
também, não encontro nenhum vídeo decente das faixas do último trabalho do cara, que por sinal é fantástico... vocês e eu vamos ter que aguardar...


video

vinícula musical: o caso amy winehouse

a mídia é algo muito enigmático... somos bombardados de lixo cultural o tempo todo, sobretudo por enlatados advindos do, como bob marley chamava, babylon system, ou seja, dos norte-americanos estadunidenses (deixemos nossos amigos canadenses em paz!) que se acham donos do mundo; em meio a tanta porcaria, de vez em quando coisas boas se salvam; paulo leminski uma vez teve que dar o braço a torcer quando descobriu a bela e densa literatura de john fante - tanto que chegou a traduzir o, até certo ponto bobinho, agora é que são elas... ainda não decifrei o porquê da tv globo falar tanto dessa cantora inglesa com cabelo de marge simpson chamada amy winehouse; só pode ser por conta do seu envolvimento com algumas drogas não muito lícitas... depois falam que são os tablóides britânicos que adoram um sensacionalismo! bem, deixando essas minhas dúvidas de lado, a questão na qual gostaria de me focar é a qualidade músical dessa cantora, lírica e melodicamente falando... a produção visual do clipes pode até ter inúmeros clichês, com forte apelo comercial, mas até aí tudo bem... a aura retrô é mesmo fascinante! não consigo deixar de lembrar também das vozes daquelas maravilhosas cantoras americanas do pós-guerra, sofrendo ao microfone suas dores amorosas... um pouco mais cruel e nu agora, afinal o zeitgeist (rsrs) é outro...

ah, pra quem não entendeu o título dessa postagem, vou mastigar: winehouse em inglês poderia ser traduzido como "casa do vinho" ou, mais livremente, "vinícula"... um tanto quanto sugestivo, não acham?


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another poetry on the wall

essas imagens eu capturei (fotos são batidas, tiradas ou feitas?) dos muros de uma escola (alguém sabe qual?) daqui de mogi, mais especificamente na vila da prata... pena que ainda tem bastante espaço em branco... acho que os alunos deveriam escrever lá suas próprias poesias também...



zeitgeist

para quem não sabe, essa palavra em alemão significa "espírito do tempo"; ainda que seu uso em filosofia possa ter algo de metafísico, diversos autores a utilizam de acordo com uma concepção um pouco mais próxima do materialismo-histórico (ou se preferirem, da dialética marxista), uma vez que esse conceito pode se relacionar à idéia de que estamos presos na historicidade da vida; vivemos um determinado momento histórico e somos marcados por ele, ou seja, tudo que somos reflete uma influência histórico-social; nossas ações trazem marcas de todas as variáveis políticas, econômicas e culturais da época em que vivemos; não podemos viver além do nosso tempo; em outras palavras (sempre que falo isso lembro da música de caetano...), é como se não pudéssemos dar passos maiores do que as pernas... essa forma de pensar a realidade (falo da realidade socialmente construída, para usar um termo dos sociólogos, também alemães, peter berger e thomas luckman) fundamenta, à título de exemplo, a perspectiva de se fazer história de modo contextualista, ou melhor, sem pensá-la ingenuamente como mera sucessão de personagens e/ou personalidades; podemos ler biografias sim, mas elas serão tanto melhores se integradas aos aspectos "cronológicos" vividos pelos protagonistas...

filosofia à parte (ou filosofando um pouco mais), o famoso físico inglês stephen hawking uma vez sugeriu o seguinte desafio: e se pudéssemos viajar até o fim do universo e colocar o dedinho para fora?

sábado, 7 de junho de 2008

barcode




quem me conhece bem sabe que sou fascinado por aqueles “risquin
hos” (sic) verticais que existem em quase todos os produtos comercializados; pelo que descobri, o tal código de barras foi usado pela primeira vez em 1974 para efetuar a venda de uma caixinha de chicletes; informação inútil à parte, vale bem mais lembrar, sobretudo para quem nasceu bem depois desse acontecimento, que os caixas de supermercados precisavam antes digitar (ou melhor, teclar quase que como numa máquina de escrever) os preços das mercadorias, uma a uma, incluindo os centavos; dá para imaginar como o processo final do fazer compras demorava muito mais do que nos dias de hoje; não pretendo aqui falar das vantagens tecnológicas do código de barras - qualquer um com o mínimo de conhecimentos administrativos/empresariais saberia falar com muito mais propriedade de outros ganhos, por exemplo, quanto ao controle automático do estoque; fascina-me o visual primitivo do código de barras, quase uma pintura rupestre em pleno século xxi, ainda que a denunciar como quase tudo em nossa civilização capitalista é mercadoria (alguém aí leu o que é mercadoria, da coleção primeiros passos, publicado pela outrora fantástica editora brasiliense?), quase tudo está à venda, quase tudo está codificado... tenho medo que o código de barras desapareça (paradoxo?), substituído por algum sistema mais avançado (a tarja magnética não deu conta disso...); ou meramente desapareça pelo simples fato de nem mais ser necessário lembrar que vivemos em um grande supermercado...